Ansiedade

Saúde mental feminina: por que mulheres lideram casos de ansiedade e depressão?

Larissa Diniz 3 min de leitura
Mulher pensativa retratando a ansiedade pós-moderna e a sobrecarga feminina

Você sente que está sempre correndo contra o tempo? Se a resposta for sim, saiba que você não está sozinha. Em um estudo da Universidade de Cambridge, as mulheres apresentaram uma prevalência de ansiedade de 21,9%, enquanto os homens com 11,3%. O que nos faz questionar: por quê essa diferença entre os números?

Historicamente, o descontentamento e a exaustão feminina foram estigmatizados como “histeria” ou “loucura”. Por muito tempo, o sofrimento psíquico feminino foi invalidado como algo puramente biológico, silenciando mulheres que reagiam às restrições e opressões da época. Hoje essa herança se manifesta na dificuldade crônica de desacelerar. Para a mulher pós-moderna, o descanso é frequentemente vivido sob o peso da culpa, como se a pausa fosse um erro e não uma necessidade.

Quando nos vemos presas em um ciclo de hipervigilância, tentando antecipar crises e gerenciar o “trabalho invisível” do lar e da carreira, não estamos diante de uma falha individual, mas de uma resposta exaustiva a um mundo que ainda não aprendeu a ouvir e valorizar a voz e os limites das mulheres.

Com isso, vivemos sob a pressão constante de desempenhar, com excelência, múltiplos papéis: a profissional de sucesso, a mãe presente, a esposa dedicada e a cidadã exemplar. Essa múltipla jornada não é apenas uma escolha; é uma rede complexa de fatores sociais e psicológicos que impactam diretamente nossa saúde mental.

A ansiedade como reflexo do mundo

A Análise do Comportamento nos ajuda a entender que a ansiedade é, muitas vezes, uma resposta a contextos exaustivos. O sofrimento que você sente está profundamente ligado a:

  • Trabalho invisível: O desgaste mental de gerenciar a casa e o cuidado com a família. Tarefas fundamentais, mas raramente reconhecidas ou valorizadas.
  • Estruturas sociais desiguais: Um sistema que ainda impõe uma divisão injusta de responsabilidades, oferecendo pouco apoio real à mulher.
  • Interseccionalidade: Fatores como raça e classe social tornam esse peso ainda mais esmagador. Para mulheres negras e de baixa renda, o racismo estrutural e a precarização do trabalho elevam a ansiedade a níveis alarmantes.

Não é fracasso, é sobrecarga

Precisamos parar de tratar a ansiedade feminina como uma fraqueza. Ela é, na verdade, um reflexo das estruturas em que vivemos. Entender isso é o primeiro passo para o alívio: o peso que você carrega não é uma falha sua.

Caminhos para o equilíbrio

Reconhecer a origem social da dor não significa que não possamos agir sobre ela. A clínica nos mostra que estratégias como o desenvolvimento de habilidades sociais, que incluem a comunicação assertiva e o aprender a dizer “não”, são ferramentas fundamentais para reduzir os sintomas e retomar o protagonismo da própria vida.

A busca por um apoio profissional ético e sensível a essas questões de gênero permite que você encontre um espaço de escuta real, onde sua voz é ouvida sem o julgamento das pressões externas.

E você? Já parou para pensar sobre como o mundo ao seu redor influencia o que você sente hoje?

Referências

LEVATTI, G. E.; VICTURI, A. A.; GARCIA, V. A.; BOLSONI-SILVA, A. T. Terapia analítico-comportamental para mulheres com ansiedade e depressão. Perspectivas em Análise do Comportamento, v. 09, n. 02, p. 164-182, 2018.

ANTUNES, G. O.; SOUZA, M. A.; RAMOS, Y. M.; LACERDA, C. L. S. S. A mulher pós-moderna e a sua saúde psíquica diante do acúmulo de funções. Centro Universitário UNA, 2024.

SILVA, S. M. P.; FRANÇA, M. H. O.; MARQUES, L. H. O. Mulheres e Saúde Mental. Psicofae, v. 12, n. 2, 2023.

Shawon MSR et al. Gender differences in the prevalence of anxiety and depression and care seeking for mental health problems in Nepal. Glob Ment Health (Camb). 2024.

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